quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Adaptação – capítulo final

Se eu disse que meu Ano novo foi turbulento, mal sabia eu o que ainda estava por vir... Senta e pega um suco que o relato é longo.....

Havia comentado antes que nos considerávamos os dois adaptados na escola lembram??
Tanto que na terça-feira dia 3, deixei o Guilherme feliz e faceiro na escola as 13 e o observei até as14h, quando atravessei a rua e fui a estética em frente a escola arrumar as unhas, afinal eu precisava.
As 15:30 quando eu saia na porta, vejo o guarda da escola vindo em minha direção e ouço dele a seguinte frase: “tentaram ligar pra senhora, mas como não conseguiram vim lhe chamar...” nem ouvi o resto. Entrei correndo na escola e vi o Guilherme fora da sala, agarrado no colo da profe aos prantos. A profe me disse que ele havia vomitado catarro.
O Guilherme deve ter vomitado 3 ou 4 vezes na vida. E detesta isso, ele realmente fica desesperado. Liguei pro pediatra e disse que queria leva-lo, mas ele tinha uma paciente em trabalho de parto já e só poderia nos esperar até as 4:30 da tarde. Eu estava com o carro na revisão... Liguei pro Ale e disse que tínhamos uma hora pra atravessar a cidade.
Conseguimos chegar no consultório a tempo e o Marcelo examinou o Gui. Me disse que a febre do final de semana, foi um resfriado viral bem forte que encubou o catarro. O bom foi que não desceu pro pulmão e o ruim foi que não botou pra fora. Receitou descongestionante por uma semana e olhos abertos. Demos a primeira dose no consultório mesmo. Guilherme dormiu na ida e na volta do médico e o Gui é ruim de dormir pra caramba... Realmente tinha algo errado com ele.
Quando chegamos em casa, ele já produzia “massinhas de modelar enormes” pelo nariz a cada espirro. Carinha de doente e achei quentinho. Medi a temperatura, quase 38. Ai ai, febre de novo.
Na quarta feira, liguei na escola e expliquei o quadro clinico do Guilherme. Próximo do meio dia, a coordenadora me liga em casa pra saber dele, falo que continua produzindo muito muco, mas que a febre foi controlada durante a noite. Ouço ela sugerir que leve o Gui a escola, nem que seja um pouquinho, pra ele não perder o vínculo. Achei estranho a escola querer ele doente, mas elas tem mais experiência que eu. Resolvi atender.
Fomos a escola e ele chorou bastante, estava bem enjoadinho e mais uma vez não mamou. Viemos embora antes da hora do lanche. A noite a febre voltou. Perto da meia noite, havia apenas uma hora que eu havia intercalado o alivium com Tylenol e a febre já tava em quase 39. Nos vestimos e corremos ao hospital. Raio X de tórax e pulmão em ordem. Mantém a medicação e observação. 3 e 15 da manhã, chegamos em casa...
Quinta pela manhã, novamente me liga a escola pra saber do Gui, mesmo quadro, muita tosse, febre só na madrugada (pra transformar as férias da mamãe em férias da coruja) e ouço mais uma vez que deveríamos ir a escola. Hoje o Ale não poderia nos deixar lá, pedi pra minha mãe que nos deixa-se lá. Quando cheguei na escola, vi que tinham recolhido todas as mesas e cadeiras do bar e os bancos foram amontoados em um canto do pátio perto da parte que está em obras. Realmente a escola não quer que eu fique observando no pátio. Deixei o Gui que logo começou a chorar. Ele ainda estava muito enjoadinho. A coordenadora veio falar comigo e brinquei que não precisavam ser tão radicais. Recolher tudo por minha causa?? Ela riu e disse que não era só por minha causa. Elas tinham mais mães plantadas no pátio e isso estava atrapalhando as adaptações, pois as crianças sentem nossa presença.
Então ta. O Gui ficaria ate as 4h. Fui com minha mãe na loja de tecidos, demos umas voltinhas e próximo das 3:30 já estávamos com o carro parado em frente a escola.
Abri a porta e disse que ia espiar e ouvi um choro estridente... me doeu o peito, sabia que era do Guilherme.
A profe coitada andava com ele pelo pátio da escola tentando acalmar. Mas me mantive firme (ou nem tanto assim) e esperei o horário marcado para pegá-lo mas a vontade de realmente desistir de tudo começou a surgir em minha mente...
Peguei ele, conversei com a profe e ela admitiu que a gripe dele estava prejudicando e muito a adaptação. Ele teve uma segunda-feira tão boa.... Cheguei a sugerir que não o trouxesse na sexta, mas mais uma vez me falaram da importância do vínculo. Elas sabem o que estão fazendo...
Na sexta o levei novamente. O que me estranhou nesse processo todo, é que o Guilherme queria ir, gosta de colocar o uniforme, quando questionado sobre escola nos responde com um sorriso que “tem assim assim (e faz o gesto de bastante com a mãozinha) de nenê pra brincar”, pega a mochila e vai bem faceiro pro carro. Mas depois acho que sente saudades da gente e chora.  Mais uma vez o deixei sem chorar, mas ele deu uma resistida pra descer do colo. A coordenadora veio falar comigo mais uma vez e disse que hj eles teriam atividades no pátio, por isso mais uma vez eu não poderia ficar espiando.
Quis ficar perambulando pela rua da escola, pois ainda estava sem carro... (quando dá errado, é uma avalanche de coisas)... O Ale tinha de ir pegar uns docs em Cachoeirinha e pediu que eu fosse com ele então, e na volta passaríamos ali pra ver como ele havia ficado. Voltamos as 2 da tarde e ele ainda chorava. Era de cortar meu coração!!!! O Ale foi duro comigo e disse que me levaria pra casa. Eu desabei no choro e nunca o titulo desse blog bateu tão forte na minha mente!!! Resolvi que não iria pra casa. Mesmo de férias resolvi ficar na empresa e trabalhar até a hora de buscar o Gui. Cheguei na empresa chorando, um colega veio conversar comigo, tomar um café e desabafei um pouco. Me acalmei, trabalhei um pouco para antecipar a avalanche de notas fiscais a minha espera na volta, o tempo passou até que rápido, mas não agüentei até as 4:30. As 4 pedi pro colega me largar na porta da escola. Fui espiar e ele me viu pelo vidro... Corri até a sala da coordenadora e conversamos um pouco, mas ele continuava a chorar... Mas ela me garantiu mais uma vez que não perderam o controle, que ele chorava, mas em seguida acalmava, interagia e chorava de novo. Mas já que ele havia me visto, que o melhor era eu pegar ele.
A carinha de felicidade dele quando me vê na porta só aumenta a culpa... O guri saiu correndo e nem quis saber da mochila ou do carrinho que havia trazido de casa. Se enrolou no meu pescoço e não largava. A profe comentou que mais uma vez ele não mamou e hj também não comeu o lanche. Apenas tomou um pouco de suco.
Como o Ale só nos buscaria depois da 4:30, fui até o bar, pedi uma cadeira (que vergonha) e dei o lanche pro Gui. Ele comeu bastante. Acho que estava com fome.
Foi uma semana BEM difícil, mas eu continuava apostando que daria certo, que a culpa era da gripe e que na próxima segunda-feira tudo seria maravilhoso novamente.
Passamos o final de semana tranqüilo e o Gui sem febre. Domingo até  fomos no aniversário do Samir e ele se divertiu bastante. Esperanças renovadas!!!
Segunda, fui toda esperançosa levar o Gui, eu havia voltado a trabalhar pela manhã e almocei em casa, o arrumei e fomos rindo e brincando. Cheguei na porta da escola e o guri já abriu o berreiro antes de descer do carro. O tirei, o levei e o larguei. A sorte que eu tinha escrito na agenda que a minha mãe o buscaria as 5, pois eu tinha consulta no final da tarde e nem falei com a profe, larguei e saí. Fomos Ale e eu ate o mecânico pegar meu carro que finalmente ficara pronto e fui muda até lá... meu corpo doía, minha cabeça doía e pior, meu coração doía... O carro ainda não havia chegado da lavagem.
Vinte minutos de espera que para mim foram 20 horas. O carro chegou, entrei e vim correndo ate a escola, fiquei abaixadinha perto do portão espiando e ele ainda chorava muito.... fiquei esperando a escola me ligar (tinha certeza que me ligariam, pois para mim parecia estar fora de controle o choro dele) NADA.
Engoli minha vontade de arraca-lo de lá e fui trabalhar, as 3 já estava de volta lá espiando. Eles se preparavam pra lanchar, o Gui estava sentado na cadeira, olhando pro nada e chorando.... Olho o celular e nenhuma ligação!!!! A profe coitava tentava de todas as formas conter seu choro e não adiantava.
Voltei para empresa e liguei pra mãe, perguntando que horas ela iria, (pois a conhecendo achei que ela iria antes para observar) bingo, 4:15 ela chegava na porta da escola.
Liguei pra ela e pedi da situação, ela me disse que a sala estava vazia, disse então que eles deveriam estar na praça interna onde fica a piscina de bolinhas e que não se vê do pátio. Fiquei tranqüila, achei que a situação estava controlada.
As 5 me liga a mãe dizendo que o Gui estava dormindo desde as 4 da tarde. Como assim??? O Gui é ruim de dormir pra caramba. Olha o nome do blog me assombrando de novo!!!
Cheguei na casa dela perto das 8 da noite. Encontrei o Guilherme com os olhos inchados ainda. Eu queria morrer.... Pedi a opinião dela e ouvi o seguinte. “Eu não tenho que me meter, o filho é teu, mas me entregaram ele chorando, não trocaram nem a fralda depois do soninho e em seu rosto ainda estavam os rastros do choro de antes do sono.”
Deduzi que quando ele dormiu, nem lhe limparam o rosto com medo de ele acordar e quando acordou já estava chorando novamente. Quando perguntei pra ele sobre a escola ouvi “não qué esse aqui”... É as coisas mudaram.
Aqui que fique bem claro que eu não acho errado uma criança em adaptação chorar a tarde inteira, o que achei errado, foi todos na escola me dizerem que ligam quando a criança chora muito e mesmo eu vendo que ele chorava muito, não me ligaram. Acabei perdendo um pouco da confiança na escola neste momento.
Sei que aquela noite não dormi. Na terça (ontem) liguei cedo para escola e pedi pra falar com a coordenadora  e com a psicóloga. Marcamos para as 10 da manhã.
Conversamos bastante. Ouvi as ponderações delas e que tudo aquilo era normal. A psicóloga mesmo me disse que seu filho chorou por 4 meses e que como sabia onde ela estava na escola, fugia das professoras e ia ao seu encontro. Me deram algumas opções que ainda poderiam ser tentadas, mas uma frase dela ficou ecoando em minha mente e me fez tomar a decisão de “abortar a missão”.
Ela me disse que essa fase é a mais critica para adaptação, me perguntou se o que trazia o Guilherme para a escola era necessidade ou opção. Me dei conta que é muito mais fácil não se ter opção. E o Guilherme tem ido a escola por opção, porque eu achei que tava na hora, porque eu achei que ele estava pronto. E mais uma vez descobri que a escola ensina... Ensinou a mim que eu não tinha mais um bebê em casa e me ensinou que ele manipula não só a mim, mas a família inteira. A psicóloga me disse que se não há necessidade de ele ficar na escola, com 3 anos a adaptação se torna muito mais fácil. E que no caso do Gui, ele fica com a vó que lhe dá toda a atenção. Na escola ele tem de dividir tudo, inclusive a atenção das tias. Na primeira semana tudo é novidade mas depois ele cai na real e eu estar em casa pela manhã também dificultou as coisas, somada a doença dele na segunda semana... Ou seja... DEU TUDO ERRADO. Que a adaptação realmente é uma judiação e que se não há necessidade....
Pronto, eu disse que ia pra casa conversar com o Ale, afinal a decisão não era somente minha, pois o filho não é somente meu.
Conversamos bastante em casa e achamos melhor por enquanto desistir, o Gui não estava pronto e principalmente nós não estávamos prontos... Optamos por esperar mais um pouco. Mas já que descobrimos que ele não é bebe e tem poder de nos manipular, cabe somente a nós, Ale e eu impedir que isso continue acontecendo. Então algumas mudanças serão tomadas lá em casa. Até para que estejamos preparados quando formos tentar novamente.
Não culpo a escola, não culpo as profissionais, pelo contrário, disse a eles que provavelmente no meio do ano ou no final deste, eu esteja sentada novamente lá, pois ainda acredito que eles sejam a melhor opção pro Guilherme. Mas a melhor opção não neste momento.
Tenho hoje um sentimento de incompetência, pois sei que a culpa de não ter dado certo é minha, só minha. Mas também de alívio, pois traz sofrimento sim. E descobri que eu não estava preparada para isso. Não agora.
Mas como o ano está só no inicio e ainda é tempo de tentar acertar, tiro boas lições de tudo o que aconteceu.
Cansaram?? Eu disse que era longo.... Mas as amigas que ainda tem de passar por isso, fiquem calmas, conosco não funcionou nesse momento, mas na grande maioria dos casos funciona SIM. Na escola me disseram que não há criança que não se adapte, há famílias que decidem tentar em outro momento. Uns mais rápido, outros demoram mais... Mas todos se adaptam sim. Não posso dizer que é fácil, isso não é. Mas não desistimos ainda, apenas postergamos um pouco mais a idéia.... Agora vamos em frente que o ano ta passando. Pretendo voltar a freqüentar os blogs, e também contar o novo leque de fofices do Gui nesses últimos tempos. Afinal a escola ensina aos pais, mas aos filhos também e mesmo no tumulto desses últimos dias, o Gui aprendeu muitas coisas novas... Nos aguardem!!!!

10 comentários:

  1. Oi ...e comprido sim mas vale sempre ler experiencias...entao espere mesmo neah...senao vale a pena ele ficar aos prontos, ele tera seu tempo de ir na escolinha. e voce ficar descansada com ele la' curtindo e nao chorando.
    Beijo

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  2. Ufa,..agora sim posso aplaudir! Guria, já estava ansiosa aqui lendo o teu relato sobre o choro dele...Vocês tomaram a decisão mais certa amiga! Essa coisa de deixar a criança chorando,... puxa, se realmente não tem tanta necessidade assim, acho que não precisa ir para a escolinha... Deixa ficar maiorzinho, entender e até sentir falta disso... Ainda bem,...vais ver que ele agora vai melhorar muito!!!! Beijos querida!!

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  3. frescura...
    Lilien - PR

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  4. A Lilien do Paraná. Agradeço a visita e por ter perdido seu tempo lendo a minha tão interessante frescura... afinal o que vc define como frescura se trata da minha vida.

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  5. Ai Cátia, sofri com vc! Nossa que situação difícil hein, a gente erra com a intenção de acertar e o sentimento de culpa não perdoa né, imagino vc tendo que ver e ouvir ele chorando, deve ser terrível!!!!

    Mas ainda bem que agora vc já decidiu, acho válido poupar o Gui tadinho, ainda mais que sua mãe cuida dele mt bem.

    Bjus!

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  6. Querida,
    volto amanhã para ler tudo, estou indo dormir...
    e que passe logo a fase do guri lá em casa.
    beijão

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  7. Catita,
    e não dê bolas para os anônimos, aliás, não permita esse tipo de comentário, quem não tem cara para se identificar, que guarde sua opinião...
    beijos querida

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  8. Cátiaaaaaa q sufocoooooo!!! Guriaaaa, eu já estava aflitaaaaaa!!!!

    Onde já se viu deixar o Gui chorando assim? Falaaaa sériooo!!! Se disseram que iriam ligar deveriam ter ligado!

    Tu aguentou firme heim? Nossa! Eu teria abortado a missão antes! Nem quero ver quando chegar a hora dela... To protelando... protelando... Afff....

    Enfim, parabéns pela decisão! E certamente tua mae ta adorando hehehehehe.

    Beijao

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  9. Parabéns! Teu blog está cada dia mais bem relatado... Como eu já havia te falado, com certeza ainda não foi o momento, mas este, sem sombra de dúvida irá chegar!
    Já te disse que tu és uma ótima mamãe e tire esta culpa de cima de ti. Papai do céu sabe o que é melhor...
    Fiquem com Deus e torço pra que vocês não sofram mais com estas situações. Não merecem!
    Te adoro!
    Beijos.

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  10. Voltei, ai que situação, já estava me dando um nervoso, acho que também tiraria se fosse o Antônio, mas logo ele estará pronto e super interessado em ir para a escolinha!!
    Beijão querida
    Angi

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